Rede ampliará ações para melhorar aleitamento materno no país

Dra. Lucília participou de capacitação do Ministério da Saúde, que visa aumentar amamentação exclusiva para reduzir mortalidade materno infantil

Publicado em: 20 de agosto de 2009

Dra. Lucília participou de capacitação do Ministério da Saúde, que visa aumentar amamentação exclusiva para reduzir mortalidade materno infantil

Apesar de o tempo médio de aleitamento materno exclusivo no Brasil ter passado de 23,4 dias para 54,1 dias em nove anos, o país ainda está longe de atingir os indicadores adequados. A Organização Mundial da Saúde preconiza o aleitamento exclusivo até os seis meses de vida (180 dias) e o aleitamento parcial até os dois anos (730 dias).

Hoje, 67,7% dos bebês recebem o leite materno na primeira hora de vida. Até os quatro meses, 51,2% das crianças são alimentadas exclusivamente com leite materno, mas apenas 41% delas recebem a mesma alimentação até o sexto mês de vida.

“Até os seis meses os bebês deveriam receber exclusivamente o leite materno, esse é o ideal”, afirma a médica pediatra Dra. Lucília Donadelli, uma das maiores autoridades em aleitamento materno do município, com quase 30 anos de medicina dedicados ao assunto.

Por causa do seu currículo, a especialista, que é também vereadora, participou na semana de 10 a 14 de agosto em Marília de capacitação promovida pela Rede Amamenta Brasil, estratégia do Ministério da Saúde para reavaliar as ações de amamentação no país com intuito de aumentar os índices de aleitamento exclusivo e reduzir a mortalidade materno infantil.

“Sabemos que a amamentação é uma técnica que só traz benefícios para mãe e filho, mas infelizmente as ações promovidas no país não têm conseguido atingir a população”, explica Dra. Lucília, que participou do evento junto com a enfermeira Josiane Shimack Cintra.

Segundo a médica, o desafio lançado pelo Ministério da Saúde é compreender o processo de amamentação além de suas determinações hormonais e fisiológicas e avaliar seu sucesso não apenas pelos aspectos meramente técnicos, como pega e ordenha. “A visão da amamentação precisa ser modificada para começarmos a obter sucesso. A amamentação não é apenas um ato biológico, ela depende de fatores socioculturais”, avalia.

Através de um novo método pedagógico, baseado no ensino do sociólogo Paulo Freire, que enfoca a educação crítico-reflexiva, a proposta da Rede Amamenta Brasil é ouvir as necessidades da população e a partir daí orientá-la de acordo com a realidade local.

Focado na atenção básica de saúde, o projeto visa atingir todo o país, através da capacitação de tutores, como a Dra. Lucília, que depois passarão aos seus municípios o conhecimento adquirido durante as 40 horas de treinamento. Os tutores ficarão responsáveis por instruir as unidades básicas, que depois desenvolverão ações de acordo com as necessidades de cada uma.

Na avaliação da especialista, a capacitação foi altamente reflexiva, “pois todo esse tempo estávamos trabalhando de forma errada”. “Essa abordagem crítica e consciente é mais eficiente, pois dá às mães a oportunidade de serem sujeitos de suas próprias opções”, afirma.

Andréia Simões
Assessoria da Câmara Municipal


Publicado por: Andréia Simões

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